sexta-feira, 13 de março de 2015

 MICRO-HISTÓRIAS para começar. Por que não contamos aos alunos, todos os dias, uma história?

Era uma vez uma bruxa que tinha perdido a memória. Esquecera como transformar príncipes em sapos, como provocar incêndios com um estalar de dedos, como desencadear terremotos com uma careta acompanhada de palavras em algum idioma incompreensível. Desesperada, vendo-se cada vez mais sem poderes, ela conseguiu se lembrar de um feitiço, apenas um, o primeiro que tinha aprendido no começo de sua carreira de bruxa. Era o feitiço de trancar portas e 
janelas para sempre. E desde então ela nunca mais conseguiu sair de sua casa.

"Era uma vez"...Toda vez que contamos que "era uma vez" reabrimos caminhos de percepção e conhecimento. A pequena história da bruxa sem memória não vai querer sair da nossa memória... A não ser que fechemos todas as portas e janelas, porque nenhuma históriaé tão boba a ponto de querer ficar trancada para sempre numa "cachola". 

Por que não contamos aos alunos, todos os dias, uma história? Nada que seja longo ou muito complicado. Podemos narrar micro-histórias, micro contos, histórias breves, episódios inusitados, captações do cotidiano, novas lendas, mitos renovados... Não é preciso acrescentar muito mais. As crianças se encarregam dos desdobramentos. Elas próprias poderão convocar novos personagens para o relato, inventar situações, criar e desenvolver possibilidades.

Aprende-se a contar?Aprender a contar histórias é sempre uma forma divertida de entender o mundo e o comportamento das pessoas. E contar histórias compactas torna a tarefa mais acessível e factível. Não é preciso pensar em demasiadas questões, pois a questão principal se concentra num número reduzido de personagens. 

Uma história inventada não precisa ser absurda. O mundo em que animais e plantas falam, objetos têm personalidade e monstros estranhos atuam com naturalidade: é o nosso mundo humano, o único mundo que conhecemos, mas que se reapresenta revestido de outros formatos, outras cores, outros movimentos. Aprendemos a inventar histórias quando aprendemos a ver o outro lado da vida. Que, no fundo, é a vida que vivemos, mas agora transfigurada pela mente que não tem medo de transbordar.







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